Quase dezoito mil crianças foram deportadas da Holanda durante a Segunda Guerra Mundial e assassinadas em campos de extermínio. Num novo livro e exposição, elas ganham um nome e um rosto.
Entre 5 de julho de 1942 e 13 de setembro de 1944, 17.964 crianças holandesas foram deportadas e assassinadas pelos nazistas nas câmaras de gás de Auschwitz e Sobibor. Foram 17.841 crianças judias e 123 crianças das etnias roma e sinti.
Os números são frios, abstratos, por isso o escritor Guus Luijters e a pesquisadora Aline Pennewaard queriam tirar estas crianças do anonimato. Eles procuraram por todos os menores que estavam nos vagões dos 112 trens que saíram do campo Westerbork, em Drenthe, na Holanda.
Fotos
A longa pesquisa resultou no livro ‘In Memoriam, de gedeporteerde en vermoorde Joodse, Roma en Sinti kinderen, 1942-1945’ (In Memoriam, as crianças judias, roma e sinti deportadas e assassinadas, 1942-1945).
Foram encontradas fotos de 2900 crianças. Familiares que sobreviveram à guerra, amigos e vizinhos da época enviaram as fotografias depois que os autores divulgaram um pedido. É um mix de fotos de família, de escola e retratos 3x4 de crianças que olhavam despreocupadas para a lente.
O livro é sóbrio, com pouco mais que nomes, endereços, datas de nascimento e morte, e fotos. Mas isso foi feito propositalmente: “Não é um livro para ser lido, mas para existir”, diz Luijters.
Exposição
O Arquivo Municipal de Amsterdã dedicou uma exposição à ‘In Memoriam’ na qual o ponto central é uma longa mesa com as 2900 fotos encontradas. Os nomes das quase 18 mil crianças assassinadas estão em painéis de vidro.
Além disso, é contada a história de 15 crianças de Amsterdã através de seus objetos pessoais: diários, fotos de família, desenhos, boletins escolares, cartas e álbuns de poesia.
‘In Memoriam’ é um monumento para as 17.964 crianças que foram assassinadas anonimamente. Elas agora têm seus nomes de volta: de Anny Aa até Abraham van der Zyl.
*'In Memoriam, de gedeporteerde en vermoorde Joodse, Roma en Sinti kinderen, 1942 – 1945', de Guus Luijters e Aline Pennewaard, editora Nieuw Amsterdam.
*Exposição no Arquivo Municipal de Amsterdã: até 20 de maio de 2012. Entrada grátis.