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21 April, 2012 - 20:14

Governo holandês à beira do colapso

Geert Wilders retirou o apoio de seu partido à coalizão de governo e pediu novas eleições. O primeiro-ministro Mark Rutte disse que novas eleições agora são muito prováveis.
O rompimento ocorreu de repente, na tarde deste sábado, quando Wilders deixou as negociações na residência oficial do primeiro-ministro, a Catshuis. Os três partidos envolvidos na coalizão estão em negociação sobre medidas drásticas de austeridade desde o dia 5 de março.
Mark Rutte e o vice-primeiro-ministro, Maxime Verhagen, reagiram de maneira amarga à saída de Wilders. O primeiro-ministro disse que os partidos concordaram num pacote de medidas de austeridade na noite de sexta-feira. A sessão de negociação hoje deveria ser mera formalidade.

Verhagen disse que Wilders está “virando as costas aos 16 milhões de habitantes da Holanda e derrubando qualquer esperança para um país forte”.
Wilders argumenta que o pacote total negociado na Catshuis causaria muito sofrimento a seus eleitores, especialmente àqueles vivendo de aposentadoria. “Nós não queremos nossos aposentados sangrando só para atender o que Bruxelas pede. Hoje eu posso olhar meu eleitorado nos olhos e dizer que não compactuamos com os burocratas de Bruxelas.”
Necessidade de mais cortes
A recente crise teve início em fevereiro, quando novas cifras demonstraram que a economia holandesa continuaria mal em 2013 e 2014, e o orçamento anual da Holanda iria portanto exceder o limite de déficit da União Europeia de 3% do PIB. A não ser que sejam feitos cortes, o déficit em 2013 será de 4,5%.

Os partidos da coalizão se sentiram obrigados a cortar mais 14 bilhões de euros dos gastos para pôr o balanço em ordem. Isto depois de cortes anteriores de 18 bilhões de euros. Os líderes dos três partidos, cada um com um assistente, começaram então um delicado processo de negociação na Catshuis. Eles concordaram em manter um completo blackout para a mídia e não incluíram nem o parlamento nem os ministros de governo nas negociações.

Sete semanas de silêncio
Durante sete semanas, o país esperou pacientemente enquanto as negociações continuavam. Houve dois momentos intensos – o primeiro no dia 20 de março, quando o parlamentar Hero Brinkman deixou o Partido da Liberdade(PVV), mas manteve sua cadeira no parlamento. Isso danificou a posição de Geert Wilders e retirou a maioria de uma cadeira que a coalizão tinha, com o apoio do PVV.
Alguns dias mais tarde, os negociadores admitiram que haviam entrado numa “fase difícil”. Geert Wilders ameaçou abandonar a mesa de negociações, mas depois de uma noite para reconsiderar a situação, retornou.
Dos três partidos envolvidos, foi Wilders quem teve mais dificuldade em tomar as novas medidas de austeridade. Seu partido, o populista PVV, quer manter a rede de segurança social em vigor, enquanto o liberal VVD e o democrata-cristão CDA veem necessidade de cortar mais nos programas sociais.
Por fim, os cortes propostos na saúde e aposentadoria foram demais para Wilders, que declarou não poder concordar de boa fé com os cortes.

Crise de credibilidade
O prazo final de Bruxelas, dia 30 de abril, quando a Holanda deve apresentar seu plano de austeridade, está chegando rápido. O governo de Mark Rutte tem sido defensor ferrenho de cortes drásticos nos países do sul da Europa e agora estará diante de uma crise de credibilidade ao ter dificuldade em pôr em prática o que tem pregado. Haia não encontrará muita simpatia no resto da Europa por sua atual posição.
Além disso, as avaliações das agências de crédito estão começando a reconsiderar se a Holanda ainda merece o status AAA. Se a Holanda for rebaixada, será ainda mais difícil pôr o balanço em ordem.

Próximo passo
Rutte anunciou que o gabinete de governo se reunirá na segunda-feira para discutir a situação. É provável que ele vá se encontrar com a rainha Beatrix para pedir que anuncie novas eleições, que poderiam acontecer em setembro.

Enquanto isso, Rutte procurará encontrar maioria para suas propostas no parlamento, numa tentativa de colocar as finanças em ordem para 2013. Como ele disse muitas vezes, um país passando por uma crise econômica e financeira não pode se dar ao luxo de ficar parado esperando por eleições.