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24 April, 2012 - 11:39

Consumo de álcool: saúde individual e da comunidade

Existem recomendações médicas de que o consumo moderado de bebidas alcoólicas não é prejudicial à saúde. No entanto, as pessoas que regularmente não consomem bebidas alcoólicas não devem ser animadas a fazê-lo devido a falta de estudos controlados de intervenção a esse respeito.

Por Francisco A. D’Onofrio*

Segundo um informe da Organização Panamericana da Saúde (OPS), o álcool é uma ameaça para a saúde pública na América Latina. A média de consumo anual de álcool por pessoa na América é de 8,9 litros e supera o mundial, que é de 5,8 litros, segundo esse informe de 2008.

A ingestão de álcool superior às recomendações é considerada um abuso e se relaciona com o desenvolvimento de enfermidades cardiovasculares, sendo assim a recomendação para aqueles que bebam muito é de que se abstenham, segundo o estudo “Alcohol Consuption and Cardiovascular Mortality Among U.S. Adults” (consumo de álcool e a mortalidade cardiovascular entre adultos estadunidenses), realizado em 2002.

As recomendações para o consumo moderado de álcool, segundo o Dietary Guidelines for Americans é de até uma dose de bebida para as mulheres e duas para os homens, por dia.
Exemplos de uma dose incluem: cerveja – 355 ml, vinho – 148 ml, bebidas alcoólicas destiladas – 44 ml.

Ameaça para a saúde pública para a América Latina
O controle do excessivo consumo de álcool é uma prioridade urgente de saúde pública nas Américas, segundo a OPS, baseado em um documento de 2007 e tendo em conta as seguintes evidências.

Mortalidade: Estima-se que em 2002 o álcool causou a morte de uma pessoa a cada dois minutos na região, o que equivale a 323 mil mortes. Calcula-se que 5,4% de todas as mortes no continente em 2002 foram atribuídas ao consumo de álcool; em comparação com o número mundial de 3,7% a mortalidade por álcool na América Latina é 68% acima da média mundial.

Morbidez: o consumo de álcool está afeta múltiplas atividades, como pode ser durante a gravidez, afetando o feto, diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares, hepáticas, neuropsiquiátricas, incluindo o vício. Atinge também o sistema nervoso e a maioria dos órgãos, gerando violência familiar, acidentes de trânsito e violência interpessoal. Gera, portanto, consequências sociais e econômicas à pessoa, à seus familiares e à comunidade.

Lesões por acidentes de trânsito: Entre 20 e 50% das fatalidades por acidentes de trânsito na região estão relacionadas com o álcool, segundo a OPS.

Custo econômico: nos Estados Unidos, o custo estimado em gastos de saúde pelo consumo de álcool foi de quase 185 bilhões de dólares em 1998; no Canadá foram gastos mais de 2 bilhões de dólares canadenses apenas nos custos de atenção à saúde em 2002; não há estudos similares nos países em via de desenvolvimento da região.

Como uma fator agravante, a publicidade sobre bebidas alcoólicas no continente aumentou seus gastos em mais de 30%. Dentro de um período similar (2002-2005), aumentou em cinco milhões o número de estadunidenses de doze anos ou mais que confirmaram ser consumidores de álcool.

Conclusão
Por parte da comunidade médica, é preciso ser prudente na hora de recomendar o consumo de álcool, valorizando a relação custo/benefício para a saúde do paciente.

É peremptório realizar campanhas de conscientização sobre o consumo responsável de álcool no continente, priorizando um controle estrito no que se refere às campanhas de publicidade que estão dirigidas aos jovens em muitos países.

A OPS considera que o melhor modo de reduzir o dano associado como o consumo de álcool é ajudar aos países nas Américas para implementar políticas que sejam efetivas, já que o objetivo é preservar a saúde, um direito humano internacional.
*Francisco A. D’Onofrio, médico nutricionista na Argentina.