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2 May, 2012 - 12:55

Possível boicote à Eurocopa divide a Holanda

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Ministros e membros da família real holandesa devem evitar o Campeonato Europeu de Futebol na Ucrânia? Se depender do ministro de Relações Exteriores, Uri Rosenthal, eles devem ficar em casa. Mas para ativistas dos direitos humanos, o boicote não precisa ser assim.

Rosenthal fez ontem uma ameaça de boicote como reação à situação da líder opositora Yulia Timoshenko. “Se a justiça para prisioneiros na Ucrânia, especialmente para a sra. Timoshenko, não melhorar visivelmente, podemos ter certeza de que membros do governo holandês e da família real não estarão presentes aos jogos na Ucrânia.”

O ministro holandês seguiu o exemplo da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, que já haviam alertado sobre um boicote, após relatos de que a ex-primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Timoshenko tinha sido maltratada na prisão.
Simbólico
Rem Korteweg, do Centro para Estudos Estratégicos de Haia, tem opinião ambivalente sobre a ameaça. Às vezes autoridades e chefes de governo se sensibilizam com este tipo de pressão internacional, diz Korteweg. Mas segundo ele, a situação na Ucrânia não irá mudar a curto prazo por causa disso.
Também é discutível se esta ameaça levará a uma pressão contínua sobre a Ucrânia para uma melhora da situação dos direitos humanos no país. “Temos que nos perguntar qual é realmente o problema. É a situação de Yulia Timoshenko ou problemas estruturais em relação aos direitos humanos na Ucrânia. Suponha que algo realmente mude na situação de Timoshenko, isso significa que mudanças estruturais quanto aos direitos humanos foram feitas na Ucrânia? Ou é só simbólico?”
Segundo Korteweg, é possível um cenário no qual o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, faça um gesto no caso de Timoshenko que afrouxe o foco internacional sobre a Ucrânia.
Diferente
O humorista Eric van Muiswinkel fez em 2008 uma manifestação pedindo o boicote dos Jogos Olímpicos de Pequim por causa das violações aos direitos humanos na China. Na Ucrânia os direitos humanos também são violados, mas segundo Van Muiswinkel ninguém precisa evitar a antiga república soviética por causa disso. A situação lá é “fundamentalmente diferente” da China, diz o ativista numa entrevista à revista semanal holandesa HP/De Tijd.
Segundo Muiswinkel, a Ucrânia é “uma democracia bagunçada e corrupta, enquanto a China é um país de partido único onde estima-se que centenas de milhares de pessoas estejam em campos de trabalho forçado”. A comunidade internacional tem pouca influência sobre a China, por isso, segundo Van Muiswinkel, não apostou num protesto simbólico. Já sobre Kiev é possível fazer pressão política, mas, para o humorista, ela tem que vir de “atores de peso” como a União Europeia e a Alemanha.

Joana D’Arc
O jogador de futebol ucraniano Evgeni Levchenko, que jogou para vários clubes holandeses ao longo de mais de dez anos, também se meteu no debate. Ele é contra o boicote e acha que não teria nenhum efeito. Levchenko diz ser curioso que Timoshenko agora seja vista como uma espécie de Joana D’Arc, enquanto na Ucrânia há anos pessoas têm sido presas ou assassinadas por suas opiniões.
A seção holandesa da Anistia International aprova a pressão sobre Kiev às vésperas da Europcopa e espera que ela leve a uma melhora da situação de Timoshenko e também a melhoras estruturais da situação dos direitos humanos naquele país, diz o porta-voz da instituição, Ruud Bosgraaf.
E a Anistia reforça que, justamente para fazer mais pressão, “devemos” estar presentes na Eurocopa.