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11 June, 2012 - 08:27

Governo russo tenta calar manifestantes

A partir de agora, quem quiser fazer demonstrações na Rússia terá que pensar duas vezes. O risco de levar uma alta multa é grande. Nesta terça-feira vai ficar claro se os russos vão se deixar intimidar por isso, pois está agendada para amanhã a primeira grande demonstração depois da mudança da lei. O famoso escritor Boris Akunin diz que irá participar.
Participantes de uma demonstração não sancionada correm o risco de levar uma multa de 300 mil rublos – cerca de 7 mil euros. Os organizadores de um protesto têm que levar em conta somas ainda maiores. Punições alternativas também são possíveis, com até 200 horas de trabalho forçado.
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As mudanças na lei deixam claro tudo o que não se pode fazer - e é muito. Durante uma demonstração é proibido cobrir o rosto. É proibido incomodar outras pessoas. Proibido atrapalhar o tráfego. Quem o fizer, vai sentir no bolso. Governos locais também podem determinar em que lugares não se pode fazer demonstrações. Imagina-se que serão justamente os locais mais propícios, no centro das cidades.
Nova manifestação
Conselheiros de direitos humanos do presidente Putin condenaram as mudanças na lei e apontaram que algumas determinações são inconstitucionais, mas suas críticas caíram em ouvidos surdos. O parlamento aprovou a proposta em tempo recorde, aparentemente com a intenção de que entrasse em vigor antes do dia 12 de junho – data da manifestação em Moscou. Estima-se que dezenas de milhares de pessoas participarão para demonstrar sua insatisfação com o regime Putin.
A mudança na lei, que veio na esteira da dura atuação da polícia nas grandes demonstrações anteriores, no início de maio, parece destinada a assustar os manifestantes. Mas pode também levar a uma radicalização da oposição, teme a ambientalista Jevgenija Tsjirikova: “No dia 6 de maio, o confronto levou a golpes e detenções de um lado, pedras e garrafas atiradas de outro. A nova ‘lei de demonstrações’ só põe mais lenha na fogueira.”
Resposta original
Ativistas em Caliningrado, enclave russo situado entre a Polônia e a Lituânia, já pensaram numa resposta original para a lei: pretendem atravessar a fronteira polonesa para demonstrar. É mais seguro e mais barato do que pagar as multas na Rússia.
Em Moscou, as autoridades fizeram de tudo para ter a lei aprovada antes da demonstração desta terça-feira. Organizadores e participantes não podem fazer nada. “Em outras cidades também há atritos. Mas as ações vão continuar, com ou sem aprovação”, escreve o conhecido autor Boris Akunin em seu blog. No mês passado ele foi um dos que tomou a iniciativa para uma ‘caminhada’ espontânea de escritores pelo centro de Moscou “para ver se ainda podemos caminhar em nossa própria cidade sem sermos detidos”. Junto com os autores foram outros 17 mil simpatizantes. As autoridades não puderam falar nada.
Tranquilo e pacífico
Akunin diz que de qualquer forma estará presente na manifestação de 12 de junho. “Claro que minha preferência é por uma manifestação tranquila e pacífica, mas se as autoridades decidirem por um confronto, eu me envergonharia de ficar em casa. Quem não está preparado para lutar por seus direitos não os merece.”
Inna Karezina, ativista de uma cidade metropolitana de Moscou, também quer participar amanhã, um feriado nacional: “Vou com certeza, pois é o Dia da Rússia, e portanto também é o meu dia. E vou independentemente de haver permissão ou não para a manifestação. Mas temo que menos pessoas irão comparecer. A experiência da última demonstração indica que será perigoso ir às ruas, e compreendo muito bem que pessoas que têm responsabilidade com uma família decidam ficar em casa. Infelizmente. Mas esta era mesmo a intenção desta lei. Em vez de entrar em diálogo com os demonstrantes, eles fazem com que seja impossível fazer demonstrações em massa nas ruas.”
Mesmo assim, Karezina vê um lado positivo: “Naturalmente, é uma lei dracônica, é inconstitucional e viola os direitos humanos. Mas os dias de grandes demonstrações gradualmente se vão e é hora da oposição se ocupar com problemas concretos, como ações judiciais contra as fraudes eleitorais e ensinar aos cidadãos como influenciar a política em nível municipal. Isso também é importante.”