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27 June, 2012 - 10:12

Adeus,Indonésia!

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A Rádio Nederland muda de rumos e seguirá adiante com menos recursos. Será uma organização bem menor, cujo enfoque será a liberdade de expressão (Free Speech). Da antiga à nova RNW: uma volta pelas redações que deixarão de existir e outras que deverão se adaptar às novas circunstâncias.

Parte III - Indonésia

“Principalmente no período de Suharto, a Radio Nederland era uma fonte indispensável de notícias para um país que não tinha nenhum tipo de liberdade de expressão. Notícias independentes não estavam disponíveis. Dessa forma, as transmissões da redação indonésia da Radio Nederland supriam uma necessidade enorme”, conta Corine van Dun, coordenaora da redação Indonésia. O general Suharto governou a Indonésia entre 1967 e 1998.

Outro ponto alto da redação indonésia foi a cobertura dada à luta pela liberdade de Timor Leste e à independência da província de Aceh. Após o tsunami do natal de 2004, a Radio Nederland enviou rapidamente duas estações móveis de rádio (Radio in a Box) para Aceh para ajudar a disponibilizar informações para e sobre as vítimas.

Ex-colonizador

A redação Indonésia é uma das mais antigas da Radio Nederland; ela existe desde a criação da emissora, em 1947. Como ex-colonizador, a Holanda possuía uma ligação natural com a Indonésia. Nos últimos anos, os programas de rádio chegavam diariamente a cerca de dois milhões de ouvintes, graças às retransmissões através das emissoras parceiras locais. As páginas na internet são visitadas por cerca de 100 mil pessoas por mês.

Mas após 65 anos, essa redação fecha definitivamente. Agora que a Radio Nederland tem bem menos dinheiro e irá centrar suas atividades na divulgação da liberdade de expressão, a Indonésia deixou de ser público alvo. Isso porque o país avançou bastante no que diz respeito à liberdade de imprensa. Isso também significa que vinte empregados da Radio Nederland perdem seus postos de trabalho. Em Jacarta, o escritório da Radio Nederland será fechado e o representante ali alocado volta para a Holanda.

Cobertura tendenciosa

Corine van Dun concorda que haja agora bem mais liberdade de imprensa do que no período de Suharto. Mas com ressalvas: “A liberdade de imprensa na Indonésia existe formalmente, está inclusive na Constituição. Mas a imprensa livre está sob pressão, principalmente por agrupamentos fundamentalistas. Além disso, a imprensa está com frequência nas mãos de políticos ricos interessados em uma cobertura tendenciosa. Ainda que as notícias estejam agora disponíveis, assuntos como religião e sexualidade continuam sendo tabu. A liberdade de imprensa não é algo natural. E, de acordo com o índice da Freedom House (que mede a liberdade de imprensa no mundo), a Indonésia é qualificada como “parcialmente livre”.

Ouvinte fiel

O ouvinte Arthur Sailendra se lembra de como seu pai, no início dos anos 1980, logo após ser libertado da prisão, era um fiel sintonizador das transmissões. O pai dele foi preso em 1969, durante a ditadura de Suharto, e ficou preso por dez anos sem nenhum processo.

Segundo Eddy Setiawan, que acompanhou as transmissões por muitos anos, acredita que a Radio Nederland deixará um vazio. “As emissoras locais não podem preencher esse espaço”. Setiawan ainda se lembra das transmissões sobre a visita da Rainha Juliana à Indonésia, em 1971.
"Não vamos sentir falta das notícias, isso é fornecido. Mas as informações de fundo e os projetos na Indonésia eram muito úteis. Isso fará muita falta”, sintetiza outro ouvinte.

Laços históricos

Em 14 de junho, a Radio Nederland organizou em Jacarta o seminário What’s next?. É incerto o futuro das emissoras internacionais na Indonésia. “A Deutsche Welle e a BBC ainda estão ativas no país, mas de maneira reduzida; parte como consequência dos desenvolvimentos positivos na região, mas também sob pressão de cortes orçamentários. A Radio Austrália também continua ativa. Mas o laço histórico com a Holanda será definitivamente cortado em 29 de junho. Um monumento deixa de existir”, conta Van Dun.

Dentro da nova Radio Nederland, é possível a existência de atividades em pequena escala direcionadas à Indonésia. Dessa maneira ainda continuará existindo uma tênue ligação entre Hilversum e indonésia.